RUA NASCIMENTO SILVA, 107 por Mário Rubial

RUA NASCIMENTO SILVA, 107 por Mário Rubial

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Sou um privilegiado. Ao longo da vida, consegui uma penca de amigos. É o meu maior patrimônio. E continuamos nos curtindo. Aqueles que foram chamados pela inevitável chamada divina são relembrados e homenageados continuamente.

Mas, como disse, sou um privilegiado. Não só pelos amigos que mantenho, como também por seus filhos, que são meus novos amigos.

Conto uma historinha.

Gerson Cury é meu amigão, quase irmão. Nos conhecemos e convivemos com outros amigos na Chácara Santo Antônio. Lá nos relacionamos, tivemos nossos filhos – que se curtem até hoje -, e continuamos amigos/irmãos, felizmente.

Vida passou, filhos cresceram e muitos de nós aposentaram-se. Meu caso.

Daqueles famosos planos para o futuro, o sonho de mudar para uma cidade mais calma e sair da confusão de Sampa. Aquela história de sempre… Surgiu uma casa em Tatuí, construída ao longo de três intermináveis anos. E de intermináveis dívidas. Mas, tudo deu certo.

Vida que passa…

Nos primeiros meses de aposentadoria, estava eu e a Cris, minha querida companheira, curtindo uma semaninha na casa de Tatuí. Coincidentemente, Daniela, minha filha mais velha, também de férias, resolveu nos acompanhar. E, de quebra, convidou o Rafael, filho do Gerson, que também estava de férias.

Estávamos os quatro na varanda papeando.

Surge o assunto “Rio de Janeiro”. Minha paixão. E que, modestamente, conheço muito. Principalmente os botecos.

Papo vai, papo vem, o Rafa comenta:

– Já fui ao Rio. Mas está faltando alguma “liga” para melhorar meu entendimento da cidade. A Dani, atrevida como sempre, sugere:

– Pai, você está aposentado. O Rafa de férias. Que tal vocês curtirem uns dias no Rio?

Pronto!

Decidido. Programa feito, passagens compradas, hotel reservado e lá fomos nós.

Baita emoção para mim. Viajar com o filho de um grande amigo.

Fomos a todos os botecos, restaurantes, e curtimos a maravilhosa atmosfera carioca.

Mas o ponto alto, inesquecível, foi na Rua Nascimento Silva, 107. Para quem não lembra, Toquinho e Vinícius fizeram uma música homenageando Tom Jobim que lá morou e produziu vários clássicos da bossa nova.

Lá pelas dez da noite, saindo do Bar Lagoa, passamos pela Nascimento Silva, em direção ao nosso hotel. Não deu outra.

Falei para o Rafa:

– Vamos telefonar para o Gersão e homenageá-lo!

Ligamos e, pelo adiantado da hora, o pai preocupou-se. Rafa tranquilizou:

– Pai, está tudo bem, é só uma homenagem que eu e o Tio Marinho queremos fazer. E começamos a cantar:

– “Rua Nascimento Silva 107, você ensinando pra Elizete as canções de canção do amor demais…”

Foi marcante e emocionante, pois eu, Gerson e Rafa somos apaixonados pelo Rio e pela música brasileira.

Mas o papo sobre o Rio não termina aqui.

Vem mais uma viagem com o Gerson e depois com os meus filhos Alê e Dani e, claro, a Dona Cris.

Tem muita história. E muito boteco.

E se é para falar de boteco, sugiro uma visita na Adega Pérola, na Rua Siqueira Campos, 38, em Copacabana. Mexilhões, ovas de tainha, linguiças, ótimas cachaças e muito vinho.

FRASE DE BOTECO

“O álcool, tomado com moderação, não oferece nenhum perigo, nem mesmo em grandes quantidades.” (Millôr Fernandes)

Mário Rubial é Jornalista e escritor

 

4 COMENTÁRIOS

  1. Boa Marinho mais uma bela historia e sempre me deixa feliz saber
    o quanto o amigo valoriza os grandes amigos e os melhores

    ‘BOTECOS”

  2. Amigo Marinho,você é uma peça rara…estas tuas histórias são deliciosas voce é um cara muito inspirado e iluminado,abraços
    Tim

  3. Há tempo fui ao Rio para um congresso e aproveitei para visitar lugares, como você.
    Entre outros locais, passei no ex-Veloso, tomei um choppinho num desses botecos e fui dar uma olhadinha no 107 da Nascimento e Silva.
    Claro que daquela janela não mais se consegue ver o Corcovado, o Redentor (que lindo!). Mas o que me deixou muito pensativo foi: “Como é que Eles conseguiam subir três andares carregando em si todo o uísque e todo o choppe bebido anteriormente, e transformar em poesia o resultado dos porres…”
    Mistérios da cidade que abriga gente que cria entidades como o Cordão do Bola Preta, o Simpatia é quase amor ou mesmo o Sovaco do Cristo…

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