Na Bandeirantes, o primeiro grande teste

Na Bandeirantes, o primeiro grande teste

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1964.Trabalhando, ainda, na Gazeta de Santo Amaro, um dia passei em frente à Camisaria Varca, na rua Capitão Tiago Luz, cujo dono era o Lourival Pacheco. O Lourival era locutor da Rádio Bandeirantes. Famoso.
– Fausto, abriu uma vaga de redator na Rádio Bandeirantes. Você não quer fazer um teste?

– Claro que sim…!

Comuniquei ao Armando, dono do jornal e dias depois lá estava eu, à frente do jornalista Alexandre Kadunc, na época um ícone do rádio-jornalismo. Comandava a famosa equipe dos “Titulares da Notícia”.

– Seja bem-vindo, Camunha. Você sabe a diferença entre um telex e um teletipo? Na sala ao lado tem os dois. Você pega uma notícia internacional e trás aqui pra mim…

Fui à sala do lado.  Eu sabia que pelo telex chegavam as notícias nacionais e pelo teletipo as internacionais.  Retirei do equipamento uma notícia internacional de 20 linhas mais ou menos, tomando muito cuidado para não rasgar o papel. Tinha que cortar na parte picotada. O nervosismo atrapalhou um pouco, mas depois  deu certo.  Entreguei ao Kadunc e ele me mandou transformar as 20 linhas em apenas 5. Feito isso e sem mais delongas o meu novo chefe mandou começar no dia seguinte, às 8 da manhã. Eu já integrava a equipe dos “Titulares da Notícia”. Um a um, fui conhecendo e convivendo com as estrelas da época como Vicente Leporace, Moacyr Fernandes, Franco Neto, Jorge Helal,  Paulo Rodrigues do Nascimento, Ivan Rodrigues, Helio Schiavon, Antonio Carvalho, Muibo Cury,  Celso Guizard Faria, José Paulo de Andrade, Salomão Esper, Carlos Alberto Bottini, Bahia Filho, Amaury Bahia, Fernando Solera, Humberto Marçal, Luis Aguiar, Enzo de Almeida Passos, Moraes Sarmento, Tico-Tico, Ferreira Neto e tantos outros que formavam a então “família Bandeirantes”.

Em um sábado, lá  estava eu de plantão.  Pelo interfone me avisaram que havia um grupo de pessoas na portaria querendo fazer uma reclamação. Mandei subir à redação. Eles reclamaram de uma empresa de ônibus. Segundo eles, poucos carros na linha, ônibus sujos, motoristas malcriados, etc.  Fizemos a matéria, gravada, e foi ao ar no mesmo dia no noticiário chamado “O Nosso Correspondente”. Chego na segunda e o Kadunc me esperando na redação, de cara fechada.

– Camunha, o que aconteceu aqui no sábado?

Expliquei tudo direitinho e ele me mandou falar com o “seu” João Saad.

– Fausto,  me explique o que aconteceu no sábado…

Expliquei de novo e aí a minha surpresa: a empresa de ônibus era do “seu” João. Verdade. É claro, fiquei esperando ele dizer que eu estava demitido.

– Fausto, não se preocupe. Está tudo certo.  Agora eu sei que a minha empresa de ônibus não está funcionando adequadamente e vou tomar minhas providências. Vá trabalhar tranqüilo.

Esse era o “seu” João Saad. Exemplo de profissionalismo, generosidade, ética e outras tantas qualidades, que guardo até hoje.

Quando eu voltei à redação o Kadunc se esborrachava de rir.

– “Camunha, eu sabia que não ia acontecer nada.. Só quero que você tome mais cuidado na próxima vez”. “Aliás – disse ele – a reportagem com esse pessoal do ônibus ficou muito boa”.

5 COMENTÁRIOS

  1. Parabéns Fausto, bela história. Aos meus 18 anos também fui contratado e trabalhei com o Sr. João Saad, fazendo a contabilidade de sua fazenda e granja Piracuama, em Pindamonhangaba no Vale do Paraiba. Não havia lugar para me alojar, então o chefe do departamento de contabilidade da Band, senhor Heleno, me cedeu provisoriamente um espaço no canto de sua unidade, onde permaneci por alguns meses até me arrumarem uma sala num prédio de propriedade da família na Rua dos Pinheiros, para onde fui e lá permaneci até encerrar minha prestação de serviços a eles.

  2. Também dei meus primeiros passos na Gazeta de Santo Amaro, do saudoso Armando Prado da Silva Neto. Sai de lá para trabalhar na Folha de São Paulo.
    Parece que a nossa querida Gazeta, além de uma grande escola, foi o talismã de muitos.
    Saudades e gratidão
    Pedro Nastri

  3. kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk É duro não é Fausto ? Mas é assim mesmo! O primeiro emprego, é como se fôssemos garçons, tendo que carregar, uma bandeja, cheia de copos, cheios de chopps, no meio de dezenas de pessoas, em um enorme salão, onde todas elas querendo, que você as atendam todas, de uma só vez ! Um grande abraço e parabéns pela sua excelente trajetória, no mundo da mídia ! Para mi, com certeza, Fausto, um ícone !

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