ZIRALDO, UM GÊNIO INCANSÁVEL. Por Mário Rubial

ZIRALDO, UM GÊNIO INCANSÁVEL. Por Mário Rubial

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Minha profissão possibilitou momentos extremamente agradáveis. Inesquecíveis, que já contei em crônicas anteriores.

Em algumas ocasiões pude desfrutar do talento do Ziraldo.

Adolescente, curti a Turma do Pererê. Histórias em quadrinhos que valorizam nosso folclore.

Outras criações, igualmente fabulosas, projetam Ziraldo como um dos gênios da nossa geração: além do Pererê, Jeremias o Bom, Menino Maluquinho, criou centenas de cartuns.Foi um dos fundadores do Pasquim e mais, muito, muito mais.

Meu primeiro contato com Ziraldo, foi na Editora Globo, por volta de 1984.

Oscar Neves, Diretor Geral da editora, havia trabalhado na Melhoramentos, sendo responsável pelo lançamento de vários livros do Ziraldo. Daí, nasceu uma grande amizade entre eles.

Lembro de duas passagens.

Em 1984, o Ziraldo procurou o Oscar.

Tinha sido indicado para Secretário Executivo, ou cargo semelhante, para o Ministério da Cultura. E com uma grande ideia.

Queria, porque queria, valorizar a cultura brasileira. Sua culinária, seu folclore.

Mas, o que o levou a procurar a Editora Globo?

Explico:

Quando Sarney assumiu a presidência do Brasil, após a morte do Tancredo Neves, Aluísio Pimenta foi nomeado Ministro da Cultura. E como bom mineiro, chamou o conterrâneo Ziraldo para ajudar nos programas.

No dia da posse em Brasília, Ziraldo foi homenageado por uma banda de Caratinga, sua cidade natal em Minas Gerais.

Emoção total! E a bandinha começa a função. Tocando o quê? “Ó Minas Gerais…?”, “Como pode o peixe vivo…?”. Não! Tocaram…Blue Moon! Alguém se lembra? Ajudo: na voz de Elvis Presley, começava assim:

-Blue moon, you saw me standing alone…”

Ziraldo ficou feliz, mas, constrangido.

Afinal, porque uma bandinha de Caratinga tocando…Blue Moon?

Conta o Ziraldo:

– Cheguei no maestro, abracei, agradeci e perguntei:

– Por que Blue Moon? Não tinha um música brasileira?

Responde o maestro:

– Sabe “seu” Ziraldo, não temos partituras com nossas músicas para as bandinhas brasileiras. Então, temos de aproveitar e adaptar as estrangeiras.

Brilha o cérebro privilegiado do Ziraldo!

Fazer um grande concurso, em todo o Brasil, valorizando as bandas do nosso país!

Daí, a procura pela a Editora Globo, na verdade, o Grupo Globo.

Simples.

Concurso nas 5 regiões brasileiras. Júri, votações etc.

A Editora cuidaria do material impresso, a TV Globo e o Sistema Globo de Rádio divulgariam e, ao final, um júri decidiria quem era a banda vencedora.

E a Som Livre, lançaria o disco campeão!

Não deu certo porque a imprensa, com seu complexo de vira-latas, avacalhou a iniciativa.

Mas tem uma outra passagem.

Num dos outros encontros, Ziraldo, uma usina de ideias, não parava de falar: uma atrás da outra.

Perguntei:

– Ziraldo, você não para um segundo. De onde vem tanta energia? Não para de falar, de desenhar, porra, você não cansa nunca? Não planeja, não pensa?

Vem a resposta do gênio:

– O tempo que você gasta sonhando, é o mesmo tempo que você gasta fazendo.

Pedi: escreva exatamente isso que você acabou de falar!

Tá lá em cima, ilustrando a crônica e que guardo até hoje.

Obrigado pelas poucas, mas fantásticas oportunidades de conviver com você.

Valeu, Ziraldo!

 

DICA DE BOTECO

Não é um boteco. É um belo restaurante. E existe há 62 anos.

Trata-se do La Casserole. O cardápio, de sotaque francês, traz iguarias maravilhosas: moules avec frites, polvo ao vinho tinto, filet au poivre e tudo feito com uma qualidade incomparável.

E aproveite para matar a saudade do centro velho de Sampa:

Fica no Largo do Arouche, 346 tel. 3331-6283

 

FRASE DE BOTECO

Que bobos! Eles pensam que eu escrevo com as mãos.

Antonio Maria, ao ser preso pela repressão e ter as mãos pisoteadas.

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