O inferno astral de Lula no dia em que chega aos 70 Por RICARDO KOTSCHO

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Brasil, Brasília, DF. 07/05/2009. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva em cerimônia de formatura de diplomatas do Instituto Rio Branco, em Brasília. - Crédito:BETO BARATA/AGÊNCIA ESTADO/AE/Código imagem:49826

Os velhos companheiros chegaram a planejar uma festa para comemorar seus 70 anos num tradicional restaurante de frango com polenta de São Bernardo do Campo, onde tudo começou, mas o próprio aniversariante mandou cancelar, já na semana passada, por achar que não havia clima para comemorações.

De fato, não há, e o pior ainda estava por acontecer nesta segunda-feira, véspera do aniversário do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Logo às 6 da manhã, a Polícia Federal fez uma operação de busca e apreensão nos escritórios do seu filho caçula, Luís Cláudio. Antes do dia acabar, o ex-ministro Gilberto Carvalho, que foi seu fiel chefe de gabinete nos oito anos de governo, teve que prestar depoimento na Polícia Federal. Ambos são investigados na Operação Zelotes.

Dias antes, o próprio Lula passou pelo constrangimento de prestar declarações na Procuradoria da República por conta de investigações da Operação Lava Jato. Amigos e parentes do ex-presidente são denunciados por delatores nas duas operações.  O cerco está se fechando.

Para completar, levantamento Ibope sobre os possíveis candidatos à sucessão presidencial em 2018 mostrou que Lula tem o maior índice de rejeição, com 55%, ao mesmo tempo em que lidera com folga a pesquisa espontânea de intenção de votos, com 23% (ver análise no post anterior).

No dia em que chega aos 70 anos, Lula enfrenta o maior inferno astral da sua vida, cercado por todos os lados, na guerra política sem fim desencadeada durante a última campanha eleitoral. Do céu ao inferno, passaram-se poucos anos, desde que ele deixou o poder, no auge da popularidade, elegendo a sua sucessora.

É muito difícil para mim, vocês podem imaginar, escrever este texto sobre um velho amigo, que conheci ainda na época das greves dos metalúrgicos do ABC, no final dos anos 1970, e acompanhei na sua longa trajetória até o Palácio do Planalto. Não consigo ter o distanciamento necessário que se exige de um repórter. Estou muito triste com tudo isso que está acontecendo, mas na vida a gente colhe o que plantou, de bom ou de ruim, de acordo com as escolhas que fazemos. De nada adianta colocar a culpa nos outros.

“Você tem falado com o Lula?”, costumam me perguntar amigos comuns. Não, não nos falamos desde a véspera da eleição do ano passado. Circunstâncias da vida foram aos poucos nos afastando, sem que eu saiba explicar os motivos. Acho que nem teríamos agora muito o que dizer um ao outro. Dizer o quê?

Se eu fosse ele, a esta altura do campeonato, já teria me dedicado mais a preservar a saúde, zelar pela biografia e cuidar da família, mas sei que Lula não pensa assim. Sempre foi um campeão de sobrevivência e, certamente, pelo que conheço dele, vai continuar lutando, enquanto tiver forças, para defender seu legado contra tudo e contra todos.

Vida que segue.

 

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