GRIFES. A ESPERTEZA DISFARÇADA. por Mário Rubial

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Segundo definição de Philip Kotler,  “marketing é ciência e a arte de conquistar e manter clientes, desenvolvendo relacionamentos lucrativos com eles”.

Claro, o marketing é uma fantástica ferramenta para estimular mercados, gerar negócios e criar empregos.

Mas, e sempre tem um mas, creio que existem abusos nessa história toda.

Tente comprar uma camiseta sem marca! Uma bermuda, uma meia ou calção para usar na academia. Um tênis!  

É uma luta inglória. Praticamente impossível. Você vai a uma loja e tome a marca gravada na roupa. E você pagou caríssimo para, na verdade, fazer a divulgação daquela grife. E sem receber nenhum pagamento.

Sim, você tornou-se um veículo de propaganda.

Compre uma camiseta  Nike, por exemplo. Se você usá-la 20 vezes durante um determinado período, no seu dia a dia, indo a um shopping, encontrando os amigos etc. você exporá aquela marquinha para o público umas 400, 500 vezes a cada dia de uso. Ou seja, no final desse período, umas 10.000 pessoas serão atingidas pela comunicação. Imagine essa marca estampada em milhões de camisetas pelo planeta? Grande negócio, não é mesmo? Para a Nike, claro.

Ou seja você é um outdoor ambulante sem receber nada.

Agora, ponha um anúncio numa revista, jornal, rádio, outdoor. Você paga por isso!

Alguns dirão: a marca tem peso, tem referência, controle de qualidade, blá, blá, blá. Ou seja, garantia de um produto especial. Nem sempre. Muitas delas, são confeccionadas em lugares que… deixa pra lá.

Imagine os patrocinadores de clubes de futebol.

Vamos usar a Crefisa, como exemplo.

Milhões injetados no Palmeiras. Boazinha, né? Mas, já pensaram o retorno gigantesco  que ela tem? A marca na camisa dos atletas sendo exibidas nas transmissões de TV,  no uso pelos torcedores, durante e depois dos jogos. Sem falar que torcedor usa a camisa quase que diariamente. Durante anos! Ainda hoje podemos ver camisas do Corinthians com a marca Kalunga, que não o patrocina há tempos. Ou Lubrax, no Flamengo, idem.

Como já trabalhei com licenciamento de marcas e personagens, sei muito bem como isso funciona. Se eu cobro royalties de uma confecção para ela fabricar camisetas com a grife Globeleza,  porque a Nike não paga aos usuários para divulgar sua marca?

Claro, não sou ingênuo. As argumentações dessas marcas são poderosas mas, no fundo, acho que tenho razão.

Por esse motivo, todas as minhas camisetas, calções e bermudas não têm marca. Só não consigo fazer o mesmo com tênis, que uso para as caminhadas diárias. Esses conseguiram um feito: estamparam suas marcas de tal forma que não se consegue tapá-las.

FRASE DE BOTECO

Tudo o que espero de um tênis é não lembrar dele quando estou jogando.

Hortência Marcari

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