A CORRIDA DO SÉCULO! GP DE BOTUCATU: FORD 29 X KOMBI 1.500 por Mário Rubial

0
160

Anos 70.

Editora Abril.

Eu trabalhava no recém-criado Grupo de Livros Didáticos. Era uma tentativa de inovação, vendendo os livros em bancas de jornais, aumentando, dessa forma, os canais de distribuição até então limitados às livrarias.

Eu trabalhava na área comercial e, no lançamento, um mês antes do início do ano letivo, minha equipe saiu viajando pelo interior do Estado de São Paulo para divulgar os livros junto aos professores que estavam em processo de escolha dos títulos.

Meu companheiro de viagem foi Pedro Alves, professor e autor de vários livros didáticos.

Na época, a Abril tinha renovado sua frota de carros e nos coube uma Kombi de 1.500 cilindradas, novidade que sacudiu o mercado de transporte. Ela tinha um motor potente para os padrões daquele tempo e sua capacidade de carga era perfeita para carregar aquele monte de livros, material de propaganda etc.

Quando fui retirar a Kombi, o chefe dos Transportes fez mil recomendações:

– Essa Kombi é muito potente e como vocês vão para a região da Castelo Branco, muito cuidado. Os fortes ventos desestabilizam qualquer carro e esse, que é alto, com muita velocidade fica fácil sair “voando” igual pipa sem rabiola.

Ele não estava mentindo. Vimos várias Kombis tombadas nos acostamentos.

Nossa primeira parada foi em Botucatu, onde Pedro tinha parentes. Fizemos nosso trabalho e aproveitamos para visitar um tio que era bem velhinho, mas muito ativo. E orgulhoso de seus dois troféus: um Ford T 1929 sedan, e a versão caminhonete do mesmo modelo.

Papo vai e vem, cachaça da boa e o tio Quinzinho dispara uma provocação:

– E essa Kombi, anda bem?

– Claro, seu Quinzinho.  E passei a descrever as maravilhas daquele revolucionário modelo.

Ele coçou a barbicha e falou:

– Mas não dá pro meu caminhãozinho. Quer apostar uma corrida? Vai comer poeira.

Incrédulo e querendo ser gentil para o simpático velhinho falei:

– Topado. Mas com uma condição. Já que o senhor vai perder, quero de presente uma garrafa dessa cachaça.

– Tudo bem. É rara e eu só tenho mais uma garrafa. Mas aceito.

Seu Quinzinho indicou o ponto de partida e a chegada.

Botucatu é uma cidade com um monte de subidas e descidas. Fomos ao ponto de partida, que era uma rua quase em queda livre. Depois de uns 700 metros começava a subida que terminava em frente da casa do seu Quinzinho.

Na saída dominei tranquilo, mas quando começou a subida, eu só via a traseira do caminhãozinho  sumindo, sumindo…

Quando cheguei, só pude  ver o sorriso maroto do seu Quinzinho divertindo-se com o babaca da capital.

Muita gozação e na hora da partida falei:

– Tudo bem. Sinto apenas não ter conseguido ganhar a cachaça. Acho que nunca mais terei a oportunidade de beber outra com tanta qualidade.

Para minha surpresa, o bom velhinho talvez com pena do garotão paulistano, me abraçou e disse:

– Eu ganhei a aposta, mas você vai levar a cachaça. Só recomendo que jamais faça uma caipirinha com ela. Seria uma desonestidade.

Voltamos e retomamos nossas atividades. E a cachaça, eu tomava bem devagarinho para prolongar a vida dela.

Até que um dia, chegando em casa, vejo meu tio preparando uma caipirinha para os amigos. E com minha amada cachaça de Botucatu.

Ah, se o seu Quinzinho soubesse!

FRASE DE BOTECO

De Ronaldo Cunha Lima, ex-governador da Paraíba, ex-senador:

Eu estava numa festa de formatura, sentado numa cadeira de rodas, acompanhado de um  amigo que havia perdido totalmente a visão.

– Fulano, que mulher bonita passou ali. Pena que você não pode ver.

Ele retrucou:

– Corre atrás dela Ronaldo, corre atrás.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor digite seu nome aqui

3 × três =