ESSE TAL DE MANOEL DE BARROS É DEMAIS!

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Não me canso de admirar o poeta Manoel de Barros.

Numa crônica anterior, contei um pouquinho desse genial descomplicador de palavras e  desinventor do difícil.

Aproveitei a leitura da Folha, no último domingo, que publicou uma deliciosa matéria sobre o poeta.

Vejam como ele se refere a Bernardo, funcionário da sua fazenda, quando o poeta escreveu O Guardador de Águas:

“Bernardo da Mata. Apresento./ Ele faz encurtamento de águas./ Apanha um pouco de rio com as mãos e espreme nos vidros/ Até que as águas se ajoelhem/ Do tamanho de uma lagarta nos vidros.”

Bem mais poético que engarrafar água, não é mesmo?

Outra legal do Manoel:

A TARTARUGA

Desde a tartaruga nada era veloz.

Depois é que veio o forde 22

E o asa dura (máquina avoadora que imita os pássaros, e tem por alcunha avião).

Não atinei até agora por que é preciso andar tão depressa.

Até há quem tenha cisma com a lesma porque ela anda muito depressa.

Eu tenho.

A gente só chega ao fim quando o fim chega!

Então pra que atropelar?

Nestes tempos de intolerância, de confronto pelo confronto, desrespeito e ofensas gratuitas, nada como pedir ajuda aos poetas.

Até nosso presidente ficaria mais humano e respeitoso, se lesse um pouco de poesia.

Termino com um poema de Rafael Cury, meu amigo de Rio, de copo e de vida.

Adquiri a mania

De arrastar móveis

De madrugada

O morador de baixo

Protesta

Eu sou só alívio

Alguém ainda tem certeza

De que eu existo

FRASE DE BOTECO

Faz tempo que, para pensar sobre Deus, não leio os teólogos.

Leio os poetas.

Rubem Alves

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