QUÉQUIMÓIA? por Mário Rubial

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Não entenderam?

Traduzo:

– Quer que molha?

Era assim que o Geraldo, meu barbeiro de Tatuí, falava tão logo eu sentava na cadeira para aparar meus desaparecentes cabelos.

O Geraldo falava um caipirês absolutamente incompreensível. Eu não entendia nada do que ele falava. E, para não ficar chato, eu ria quando ele falava rindo e ficava sério quando ele falava sério. Achava mesmo que ele estava me gozando.

Um dia, papeando com o Paulinho, dono de melhor chope de Tatuí, comentei sobre minha dificuldade com o Geraldo. Achava mesmo que ele estava gozando da minha cara.

Sorrindo, Paulinho falou:

– Marinho, tá gozando não. Nem nós entendemos o que ele fala.

Tempo passando e, certo final de semana, toda nossa turma de Sampa resolve passar um final de semana em minha casa de Tatuí.

Sábado pela manhã, anuncio:

– Vou pro centrinho comprar a carne do churrasco e aproveitar pra cortar o cabelo.

Levanta a mão o Dorlan:

– Também vou. Preciso dar um tapa na juba.

No caminho comento que o Geraldo é uma barbeiro que fala muito enquanto maneja a tesoura, mas que não dá para entender nada.

No meio do papo surgiu uma ideia luminosa. Dorlan era de Jaú e, mesmo morando há décadas em Sampa, não perdia o caipirês no falar.

Contei que não entendia nada do que o Geraldo falava e propus um desafio:

– Quero ver se você, que é de “Jaur”, entende o que o Geraldo fala.

Chegamos, apresentações e sento na cadeira. O de sempre: Geraldo falando sem parar e eu entendendo nada.

Chega a vez do Dorlan. Tudo igual, Geraldo falando mais que a boca e o Dorlan mudo.

Cabelos aparados, contas pagas e saímos.

Ansioso pergunto ao Dorlan:

– E aí, entendeu alguma coisa?

O baixinho me olha com sorriso amarelo e diz:

– Só quando ele falou melancia

Naquela mesma época, estava sendo inaugurada uma fábrica americana em Tatuí.

Fiquei imaginando os gringos, que devem ter feito um curso  de português antes de embarcar para o Brasil, tentando compreender o que o Geraldo falava.

FRASE DE BOTEC0

– Arco ou tarco?

– Verva.

Folclore piracicabano com barbeiro perguntando ao cliente:

– Álcool ou talco?

– Água Velva – responde o freguês.

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