BOTEQUINS QUERIDOS. POR QUE ME ABANDONAM? por Mário Rubial

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O problema de envelhecer para um botequeiro é chorar, ainda em plena forma,  a perda de suas referências etílico-gastronômicas.

Não estou fazendo drama, não.

Algumas pessoas que não têm o hábito de frequentar botecos dificilmente entenderão. Mas eu, filho de dono de taxis-dancings como o Maravilhoso, Chuá e  Tabu, acostumado ao clima dos  templos da efervescência cultural, sofro muito com o desaparecimento desses monumentos da sabedoria universal.

Universal, sim! Saibam que os botecos, estalagens, bares e tabernas, foram muitas vezes locais de conspirações que mudaram a história da humanidade. Querem dois exemplos?

Le Procope, em Paris. Inaugurado em 1686, foi frequentado por Napoleão, além de Robespierre, Danton e Marat, líderes da Revolução Francesa que lá se reuniam, certamente não para trocar receitas de brioches. E também a Hofbräuhaus de Munique, fundada em 1589, onde Hitler fez seu discurso lançando as bases do Partido Nazista.

Mas voltando ao nosso quintal, li, alarmado, que o famoso Bar Luiz, que fica na Rua da Carioca, RJ, está com os dias contados. Fundado em 1887, não consegue mais se equilibrar comercialmente em virtude da deterioração do centro carioca e da falta de renovação da clientela.

Na minha passagem por este mundão, testemunhei com muita tristeza o desaparecimento desses templos. Em Sampa, Restaurante Spadoni, Salada Paulista, Restaurante do Papai, Parreirinha, com suas rãs dependuradas no refrigerador que  dava para a rua, Pelicano, que servia maravilhosas lasagnas, Cantina Capuano no Bexiga, recentemente fechado, Churrascaria Gaúcha da Rua Aurora, Bar Longchamp na Rua Augusta, onde tomei meu primeiro chope.

Ainda bem que restaram, pelo menos até esse momento em que escrevo, o Ponto Chic e o Ita, no Paissandu. Caverna Bugre na Teodoro Sampaio, Jabuti na Rodrigues Alves, e o Gato Que Ri no Largo do Arouche pertinho da Av. São João, onde nasci em 1944.

FRASES DE BOTECO

E, para terminar esse breve papo sobre botequins, nada como as frases do Millôr Fernandes, um gênio insubstituível.

– Se você beber duas doses de uísque durante 29.200 dias você terá bebido exatamente 3.000 garrafas de uísque. E, o que é melhor, estará completando oitenta anos.

– O uísque, tomado com moderação, não oferece nenhum perigo, mesmo em grandes quantidades.

– Há pessoas que só bebem em circunstância muito especiais. Mas consideram especiais todas as circunstâncias em que bebem.

– Você está bêbado quando começa a sentir solidariedade e não consegue pronunciar essa palavra.

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