SUJINHO por Mário Rubial

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Continuando nosso papo anterior sobre botequins, conto a história do Sujinho.

E que, na verdade, tinha um outro nome.

Lá pelo ano de 1958-60,  havia na esquina da Rua Maceió com a Consolação um bar/pizzaria chamado Mourisco.

Tínhamos uma turma enorme. A “turma do adro”. Adro da Igreja do Divino Espírito Santo, que fica até hoje numa colina formada pelas ruas Frei Caneca e Peixoto Gomide.

Jogávamos futebol quase o dia todo. Mas era no final da tarde os embates mais importantes. Necessário esclarecer que o “campo” era em forma de meia-lua, de paralelepípedo, bem na frente da entrada principal da igreja. O gol só teria validade quando chutado com a bola na calçada, coisa que só os mais hábeis conseguiam. E o jogo só era interrompido quando havia um casamento. Mas só até a entrada da noiva porque, depois, o jogo recomeçava. Para indignação do Monsenhor Paulo, que coordenava aquela igreja.

Tínhamos como hábito missa dominical pela manhã, almoço com a família e, no final da tarde, passeio pela Rua Augusta, que começava a ser famosa. As meninas se produziam e desfilavam sob a observação atenta dos boys que salivavam com o sobe e desce das gatinhas.

Por volta das 8 da noite do domingo, subíamos a Rua Matias Aires até a Rua da Consolação, onde começava a Maceió.

Tínhamos algo como quinze anos, durangos, e a única coisa que dava para comer com a parca mesada recebida dos pais era um pedaço de pizza e café com leite. No Mourisco. Álcool nem pensar. Cerveja e outros drinques começamos próximo dos dezoito anos.  

E aqui começa a verdadeira história do Sujinho, que se chamava Mourisco e criou um grelha para assar principalmente costelas, que acabaram por dar a fama ao lugar.

Pilotada por um português careca, que suava abundantemente, começava a fama do Sujinho. E, como vantagem adicional, ficava aberto durante a madrugada.

Só que, para os frequentadores, o nome de guerra era outro: o angelical Bar das Putas!

Explico: naquela época, as “primas” faziam ponto perto do bar. E quando avistavam a viatura da polícia, corriam para o bar e se escondiam no banheiro.

Hoje o Sujinho ou Bisteca de Ouro, dispõe de outros endereços na cidade e continua fazendo sucesso.

Mas nós, frequentadores desde sempre, continuamos a chamá-lo carinhosamente de Bar das Putas.

FRASE DE BOTECO

Só os bêbados conseguem, de fato, perceber que o mundo está girando.

Juvenal de Souza Neto

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