PARIBAR por Mário Rubial

0
84

Abro o Estadão e, finalmente, uma boa notícia para os botequeiros.

O Paribar comemorou, no dia 13 de outubro, 70 anos!

Para quem não sabe, o Paribar é um charmoso bar situado na Praça Dom José Gaspar, atrás da Biblioteca Mário de Andrade e ao lado da Galeria Metrópole.

Andou fechado por um tempo por causa da deterioração do centro e pela não renovação da clientela.

Como nasci na Av. São João em 1944 e cresci no centro de Sampa, trago na memória inúmeros locais que fizeram a glória da cidade.

O Paribar foi um deles.

Lembro de uma história que aconteceu comigo e me ajudou a ser um pouco mais humilde na vida.

Por volta de 1970, trabalhava na Editora Abril, no prédio da Av. Marginal. Era editor de Projetos Especiais e convivia com vários jornalistas de renome. Eu era uma espécie de mascote, protegido pelos cardeais do jornalismo que, por algum motivo, simpatizaram comigo.

Desse grupo faziam parte Alcione Pereira, Edmilson Moura, Wladimir Araújo, Ionaldo Cavalcanti, Luthero Maynard, João Noro e muitos outros.

Aproveitando minha curta história de vida e sendo filho de pai boêmio, dono de taxis-dancings no centro de Sampa, comecei a dar dicas de lugares para tomarmos o aperitivo do final da tarde. O famoso happy hour.

Eles ficavam admirados com meu conhecimento pois, com vinte e poucos anos, já conhecia um bocado de lugares icônicos de Sampa.

Um deles era justamente o Paribar. Eles conheciam, obviamente. Mas se encantaram de ter um moleque como eu, ciceroneando o grupo.

E fomos ao Paribar.

Lá chegando, comecei a cantar de galo. Ou de frango, devido a minha pouca idade.

Chamava o garçom, dava ordens e num momento de empolgação bradei:

– Quero um chopp e um quebra-gelo. Uma cachaça da boa mas que não seja VELHO BARREIRO!

Instantes depois chega o garçom, vestindo luvas brancas e segurando uma linda bandeja de prata, tendo no meio, um cálice de cristal contendo a esperada cachaça.

Diz o garçom para mim:

– Doutor, experimente esta.

Eu, fazendo o papel de grande conhecedor, sorvo o primeiro gole. Estalo a língua no céu da boca e disparo do alto dos meus 25 anos:

– Ahhh, que delícia. Esta sim, é uma verdadeira cachaça.

O garçom olha para mim e diz:

– Pois é VELHO BARREIRO, doutor!

Nesse dia aprendi que a humildade é uma virtude.

Não cante de galo. Você pode virar um pinto!

FRASE DE BOTECO

Estado extremamente modesto, esse São Paulo; fez toda a sua fortuna com café

e ergue em sua capital um viaduto do chá!

Millôr Fernandes

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor digite seu nome aqui

17 + 6 =