CAMPOS DE VÁRZEA, BAILINHOS E CINEMA – QUE SAUDADE! por Mário Rubial

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No último dia 23, encontrei minha velha turma da Bela Vista. Velha nos dois sentidos: pelo tempo que convivemos e também pela idade dos remanescentes.

Nossa turma era imensa. No início dos anos 50, morávamos numa região formada pelas ruas Peixoto Gomide, Augusta, Frei Caneca, Herculano de Freitas, Barata Ribeiro e outras. Nossos encontros eram quase sempre no adro da Igreja do Divino Espírito Santo, ponto central das reuniões.

Outro ponto de encontro, a partir de 1958, era o Bar Violeta, que permanece até hoje na esquina da Rua Augusta com a Mathias Ayres. E é exatamente lá que nos encontramos anualmente, graças ao nosso amigo Latorre, que coordena a turma.

Infelizmente, esse grupo fica cada vez menor. É o ciclo da vida, não há o que fazer.

Mesmo assim, as recordações são sempre maravilhosas e engraçadas.

Relato algumas:

Naquela época, havia praticamente três diversões: futebol, bailes e cinema.

No futebol tivemos vários clubes em épocas diferentes: Rio Branco, Herculano de Freitas, Madureira, Moleque XII, Gnat’s, Gerbev, Frei Caneca, Espirito Santo.

Lembro de uma passagem. Fomos jogar contra um adversário da zona leste. E transportados na carroceria de caminhão pertencente a um amigo.

O campo ficava num buraco. Ambiente hostil. E não deu outra. Após o jogo, tivemos que sair correndo, com a roupa na mão e subindo na carroceria desesperadamente. O velho caminhão penava no retorno daquele buracão. Gemia, o coitadinho. E os “inimigos” quase nos alcançando porque simplesmente não conseguiram ganhar do nosso time.

Nossa felicidade era maior quando jogávamos nos campos próximos do Itaim Bibi, onde hoje fica o Parque do Povo.

Os times que lembro eram Marítimo, Flor do Itaim e Canto do Rio.

Era mais civilizado porque podíamos tomar o ônibus elétrico 51 Jardim Europa na rua Augusta, e chegar em poucos minutos aos campos.

Já os bailinhos, eram realizados na casa de algum amigo da turma.

Eram os tempos do Elvis, Paul Anka, Platters, Neil Sedaka e as bebidas, Cuba Libre e Hi-Fi principalmente. Esta última, para os mais novos que não sabem, era mistura de vodka com crush, refrigerante à base de laranja. Mas não dispensávamos uma passada no Bar Violeta, para dar um “tapa” no Samba. Cachaça com Coca Cola que era para dar “liga” e criarmos coragem para tirar as “minas” e dançar ao som do Ray Conniff.

E claro, sempre havia muita briga quando chegava alguém de fora e tirava nossas meninas para dançar. Lembro de uma famosa, contra a turma do Brás. Foi um sufoco por que eles voltaram no dia seguinte para acerto de contas e por pouco não houve uma carnificina.

E os cinemas. Ah, os cinemas…Na rua Augusta o Marachá e o Regência. Um pouco mais acima o Majestic e Picolino. Lá embaixo o Paulista e pouco tempo depois, no Conjunto Nacional, o Astor.

E claro, quem tinha 10 ou 12 anos queria entrar em filmes para maiores de 14. Quem tinha 15 ou 16, nos de 18. E tome falsificação das cadernetas escolares. Era um tal de passar Cândida, um alvejante que apagava o que estava escrito não sem fazer algum estrago. Esse tipo de falsificação era uma arte. Poucos tinham competência para tanto.

Agradeço meu querido amigo Latorre por manter unido nosso grupo para os encontros anuais.

FRASE DE BOTECO

De um amigo ninguém se livra fácil.

A amizade além de contagiosa é totalmente incurável.

VINICIUS DE MORAES

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