FRACASSO! PREFERÊNCIA NACIONAL. por Mário Rubial

0
147

No final de 2019, li uma interessante crônica do Marcelo Rubens Paiva.

O título era “O Fracasso Brasileiro” que abordava nossa “fracassomania”.

Chamou minha atenção porque, ao longo desta minha jornada de 75 anos, venho acompanhando a estranha obsessão brasileira pelo fracasso. Observada há muitos anos por Nelson Rodrigues, quando cunhou a expressão “complexo de vira-latas” para designar esse sentimento do nosso povo.

Adoramos a derrota. Parece nos dar prazer diante de um fracasso dizer:

– Bem feito! não falei?

O caso mais emblemático é o do Pelé. Aos 80 anos, continua como referência positiva do Brasil. É homenageado no mundo inteiro, incessantemente. Mas, no Brasil, só é lembrado pelo milésimo gol, desancado só porque lembrou que deveríamos cuidar melhor das nossas crianças e pelo encontro com Sandra Regina, uma filha que apareceu depois de quase trinta anos acompanhada por um advogado e um procurador. E isso num primeiro encontro, onde deveria iniciar os primeiros contatos com o pai famoso. Só faltou chamar o STF para garantir os seus “direitos”.

Outra história, referente ao nosso desmedido culto ao fracasso, foi com Emerson Fittipaldi. Aqui lembram dele como o idiota que construiu um F-1 brasileiro que vivia quebrando, ganhando inclusive o apelido de Leite Glória, aquele que desmancha sem bater, numa referência ao slogan desse leite em pó.

Agora vejam o cartel do Emerson:

2 vezes campeão mundial de F1;

2 vezes vice-campeão de F1;

2 vezes vencedor das 500 Milhas de Indianópolis, a mais emblemática corrida de automobilismo do mundo.

E tudo isso no tempo que o piloto era mais importante que todas as engenhocas eletrônicas da atualidade.

Querem mais uma prova?

Enquanto Emerson não é reconhecido no Brasil, em Miami comemora-se no dia 20 de junho o Fittipaldi’s Day, além de ter uma rua com o nome Emmo Fittipaldi.

E a lista é extensa: Chico Buarque premiado no mundo todo é tratado como um anormal. Quando João Gilberto morreu, Bolsonaro desdenhou sobre a importância do baiano. E mais uma penca de grandes nomes como Fernanda Montenegro, Caetano, Gil, Rubens Barrichello, que além de 2 vezes vice-campeão de F-1, nunca pagou para correr.

Quando leio as trapalhadas do atual ministério, meu pensamento vai direto para o humorístico Sai de Baixo.

O casal Caco Antibes e Magda era interpretado por Miguel Falabella e Marisa Orth. A personagem desta última abusava da ignorância.

E sempre que falava algo sem pé nem cabeça, o Caco dizia:

– Cala a boca , Magda!

E eu, sempre que vejo uma declaração estapafúrdia de qualquer membro do atual governo, não resisto e grito:

– CALA A BOCA, MAGDO!

FRASE DE BOTECO

Já foi publicado, mas não custa repetir:

É melhor calar-se e deixar que as pessoas pensem que você é um idiota, do que falar e acabar com a dúvida.

Maurice Switzer

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor digite seu nome aqui

nove + 14 =