ANTIQUADA, ANACRÔNICA, MEDIEVAL, ULTRAJANTE, INDIGNA, OFENSIVA, VEXAMINOSA, HORRENDA, OBSOLETA, SUPERADA, DESUSADA, ULTRAPASSADA, PRIMITIVA, VETUSTA! por Mário Rubial

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Calma!

Não estou me referindo a nenhuma pessoa.

Todos os impropérios do título são dedicados à GRAVATA! Sim, àquela tripa amarrada no pescoço que sufoca o cidadão. Tudo em nome de um suposto toque de elegância ou algo do gênero.

Minha implicância com o trapo vertical vem desde minha juventude, quando comecei a trabalhar. Um horror! Sentia-me sufocado, ainda mais porque moramos num país tropical.

Desde então, faço o papel de um D. Quixote tentando eliminar esse maldito tirante.  Sempre em vão. Pois o establishment determina que aquele cadarço pendurado é necessário e faz parte do modus vivendi de um país… civilizado.

Conto algumas histórias reais, tragicômicas.

1968. A Editora Abril mudou-se para o novo prédio na Av. Marginal. Está lá até hoje. Richard Civita, um dos filhos do fundador, Sr. Victor, resolveu que a principal editora do país deveria também ditar normas de elegância. E decidiu:

– A partir de hoje TODOS deverão entrar no horário e devidamente paramentados com… gravata!

Foi uma grande barato. O pessoal da publicidade, eu inclusive, já estava acostumado com essa bobagem, mas os jornalistas…

O Richard acabou mexendo em vespeiro.

Imagine jornalistas famosos, influentes, de esquerda, prestando-se a uma ordem tão ridícula.

Combinaram que no dia seguinte TODOS OS JORNALISTAS estariam com gravata e às 9 horas. Só que as gravatas eram qualquer coisa amarrada no pescoço: barbante, cadarço de sapato, corda de pião, menos a tradicional gravata. E, claro, tudo voltou ao que era antes.

A segunda passagem que me marcou muito foi quando trabalhei na Revista Quatro Rodas. E claro, de gravata. Corria o ano de 1978 e eu era contato de publicidade. Em outras palavras: vendedor. Íamos pra rua com a missão de vender anúncios para a revista.

Os carros naquela época não tinham ar condicionado. Só modelos importados, para os mais ricos.

O suplício era imenso.

Até que um dia tive uma ideia. Reuni meus colegas e combinamos solicitar aos nossos chefes a permissão de não usar gravata, pelo menos no verão.

Meu Deus! Quase começa a 3ª Guerra Mundial.  Fui chamado de Lula da publicidade pois coincidia com a ascensão do Sapo Barbudo. Quase fui demitido.

Conto essas duas das muitas passagens que tive na inglória luta contra essa selvagem instituição porque, neste momento, estou novamente empunhando minha lança quixotesca.

É no condomínio onde moro.

A garagem por onde entram e saem os automóveis é controlado por vigilantes devidamente engravatados. E tudo sob um calor de 30 graus. E protegidos por um “refrescante” guarda-sol.

A visão é dantesca. Funcionários educados, competentes e responsáveis, mas expressando um grande sofrimento. Colarinhos encharcados de suor, camisas empapadas mas, a abominável gravata, lá!

Solicitei ao condomínio que apresentasse à empresa de segurança pedido para que a gravata fosse dispensada, pelo menos no verão.

A luta é inglória, mas prometo não dar sossego.

Estou até pensando em me candidatar a deputado federal, tendo como plataforma o slogan:

NO BRASIL TROPICAL, A GRAVATA É DO MAL.

FRASE DE BOTECO

Estranho que, em pleno século 21, ainda existam homens que tentam impor respeito pelo uso da gravata e pelo grito, e não por nobres valores pessoais,

MAURO PINHEIRO

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