O MARTELO E A DANÇA por Ricardo Prado

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Resumo (curtíssimo) do artigo sobre a técnica de enfrentamento à crise do coronavírus chamada de Martelo e a Dança.
O caminho apontado no artigo científico não é o de deixar o vírus correr solto, nem de ficarmos presos eternamente. Há um pouco de ambos os procedimentos em fases distintas por razões diferentes.
Primeiro precisa ser duro: fase do Martelo. É preciso conter a transmissão. O vírus está se reproduzindo de forma muito veloz, isso vai gerar muitas baixas e impedir o sistema de saúde de funcionar; além do que os vírus irão se infiltrar em grande parte da população e não conseguiremos mais localizá-los, senão tardiamente. A necessidade do bloqueio inicial decorre de vários fatores: índice de transmissão (2,5), taxa de mortalidade (variável), e a necessidade de estarmos preparados para o combate: testes, leitos, respiradores; e tempo para aprofundar o conhecimento sobre o inimigo. Quanto mais eficiente for a fase inicial, mais curta ela pode ser.
A fase seguinte é a fase da Dança: porque iremos adotar medidas acompanhando os movimentos da pandemia. O grau de liberdade pode variar de acordo com a situação da localidade: de nenhuma restrição, pouca restrição até o isolamento. Se a difusão do vírus for mapeada (com testes rápidos), ela pode ser controlada com pequenos danos à saúde e a economia. Todavia, para isso é preciso que a taxa de transmissão esteja abaixo de 1,0. E não o 2,5 atual. Cada pessoa está contaminando de 2 a 3 pessoas, e nesse ritmo atingiremos milhões rápido.
Por quais razões é preciso esse bloqueio inicial, que pode ser flexibilizado mais depressa, se agirmos rápido?
Primeiro, porque não é mera gripe igual as demais, ela possui alguns complicadores que a tornam mais letal. Seu grau de transmissão é mais ágil, o vírus é mutante, e quanto mais ele reproduz mais ele muda (o vírus do Brasil é diferente do vírus da Italia, que é diferente do chinês), e isso pode comprometer a hipótese de imunização natural (ou imunização de rebanho). Se a pessoa pegar várias vezes em curto lapso temporal, ela não resiste (vide o que aconteceu com o médico chinês, e está acontecendo com varios profissionais da saúde – são pessoas de alta imunidade, mas têm sucumbido).
Também, não se trata de doença apenas de idosos e pessoas com problemas preexistentes. Muita gente saudável vai precisar de atendimento médico-hospitalar. Se tiverem leitos e respiradores, sobrevivem; se não tiverem tratamento adequado, morrem. Essa epidemia possui taxa de internação alta, o que dificulta muito a resposta do sistema de saúde. Cerca de 20% dos infectados terão problemas graves, e um quinto deles (4% da população) serão muito graves: se tiverem tratamento, podem sobreviver; se não tiverem, irão morrer. Por isso, as taxas de mortalidade são variáveis. Onde houve resposta rápida, atendimento médico e poucos casos (Coréia do Sul), a mortalidade é baixa e o isolamento pode ser curto. Onde a resposta demora, onde o atendimento médico se torna precário, a mortalidade cresce (Irã, Italia e outros).
Assim, convencer as pessoas da necessidade do isolamento inicial para baixar a transmissão e mapear a dimensão da epidemia, pode fazer muita diferença no tempo de isolamento. Como diz o artigo, precisamos comprar esse tempo inicial (para os preparativos e o planejamento) e isso não é barato; mas quanto mais demorarmos mais caro e demorado irá ficar.
Os governantes precisam enxergar o caminho a seguir. Podemos caminhar para a saída do túnel rapidamente, como fizeram alguns países, ou ficar batendo a cabeça até não termos mais ar para repirar (nem dinheiro para comprar).
Conto contigo para fazer chegar esse artigo aos nossos líderes e governantes, bem como a todos que se interessarem pela questão.


Um grande abraço.


Ricardo Prado Pires de Campos,
Presidente do MPD

Para quem quiser ler a matéria completa, seguem os links:

https://medium.com/@tiagocascaismsou/coronav%C3%ADrus-o-martelo-e-a-dan%C3%A7a-36060db5cce9
https://medium.com/@tomaspueyo/coronavirus-the-hammer-and-the-dance-be9337092b56

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