O MONZA DO JULINHO por Mário Rubial

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Rolava o ano de 1986. Editora Globo na Rua Frei Caneca, Sampa. Plano Cruzado. Sucesso absoluto. Todo mundo vendendo barbaridade. Acreditem, quase não havia ninguém nos cruzamentos pedindo ou vendendo alguma coisa. Carros para comprar, nem pensar.

Aí entra o Monza do meu amigo Julio de Andrade, o famoso Julinho.

Nessa época eu era Gerente de Atendimento de Projetos Especiais, dirigido pelo também amigo Roberto Krause. E o Julinho, Diretor de Criação.

Na época ele era dono de um baita carrão: um Monza modelo 82, fastback, lindo, maravilhoso. E eu com um Fiat modelo 80, acanhado, ruim de dirigir.

Nossa divisão vendeu um fantástico projeto para a Gessy Lever: As Grandes Telenovelas da TV Globo. Livretos com o resumo das novelas, feitas pelos próprios autores e que foram oferecidos nos supermercados, junto com um pacote de OMO. Quase 8 milhões de exemplares! Um sucesso. E que gerou uma boa comissão para a equipe de vendas. Eu, inclusive.

Vou trocar de carro, pensei.

Procura aqui, ali e… nada. Só pagando ágio. E que ágio!

Foi nesse momento que comecei a paquerar o Monza de Julinho. Lindo, brilhando no nosso estacionamento. Meu Fiat 147 até se encolhia de tanta humilhação.

Um dia, de bate pronto, falei pro Julinho.

– Você não que me vender o Monza?

E, por incrível que pareça, ele não assustou.

Pensei: será que ele sabe como está o mercado de automóveis?

Julinho, que também considerava renovar sua frota de 1 carro, topou.

Negócio fechado e lá fui eu com o Monza lindão, assombrando as ruas de Sampa.

E aí começa o drama do Julinho e o meu complexo de culpa: ele não conseguia comprar outro carro. E eu agoniado. Afinal tudo aquilo por minha culpa.

A solução, se bem me lembro, foi dada pelo irmão do Julinho, que lhe emprestou um Fusca.

E aproveitando a história do Monza, conto uma passagem que mudou minha vida.

Certo fim de semana, fui com a família para Cesário Lange, onde o meu amigo Rui Bertone tinha uma chácara.

Meus filhos Dani e Alê, tinham 10 e 8 anos respectivamente.

Retornando a São Paulo no domingo pela manhã, resolvi testar a potência do MONZÃO.

Desci o pé num trecho plano, que terminava com uma leve subida. Em seguida, uma descida. Meti quase 160 km!

De repente, no acostamento um homem de quepe e botas, fazendo sinal para eu parar.

Sim, era um guarda rodoviário!

Parei já imaginando o tamanho da multa, apreensão da carteira de motorista e até mesmo do carro.

O que ele fez foi muito pior. Muitíssimo pior.

Depois de examinar os documentos, carteira de motorista, olhou pra mim e disse na frente dos meus filhos:

– Sr. Mário, sua família é tão bonita, filhos saudáveis. Terão um lindo futuro, sem dúvida. Não jogue tudo isso fora. Respeite a velocidade permitida e cheguem vivos em casa. Pode seguir.

Não me multou e nem tomou minha carteira. O que ele fez comigo, na classe, em frente minha mulher e filhos, foi muito pior.

Depois desse dia, NUNCA MAIS excedi a velocidade permitida.

FRASE DE BOTECO

Narrado por Juca Chaves

Chico Buarque e Tom Jobim dentro do carro, após uma rodada de chopp:

– Tom, pare o carro que eu quero descer.

– Não faça isto Chico, quem está dirigindo é você!

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