PELO MENOS, SEM TORNOZELEIRA! por Mário Rubial

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– Quem, quem, quem?

Diria Aldemar Vigário, da Escolinha do Professor Raimundo.

Sim, quem imaginaria que estaríamos em prisão domiciliar por causa desse coronavírus cornudo?

No momento em que cometo esta crônica, completo três semanas sem sair de casa.

Prisão domiciliar mas, pelo menos, sem tornozeleira!

Recebo de Aydano Roriz, querido amigo residente na Ilha da Madeira, afetuoso e-mail, contando as últimas novidades e manifestando preocupação com meu período de clausura.

Escreve Aydano:

– Preocupo-me com você, que interrompeu suas visitas aos botecos da cidade. Consegues suportar?

Sabedor de minha paixão pelos botequins, Aydano acertou na mosca!

Respondo que, para amenizar, resolvi encarar um desafio: ler o livro do Raymundo Faoro, Os Donos do Poder, um tijolo de 900 páginas. Quem sabe consigo entender por que o Brasil não consegue sair dessa eterna condição de terceiro mundo.

Quem gosta, entende e frequenta botequins, sabe que, muito além da bebida, existe um clima de camaradagem onde tudo é discutido. Todos são especialistas em qualquer coisa, palpitando sobre todos os assuntos, com autoridade, e ainda sugerindo para os simples mortais quais caminhos devem seguir para solução dos problemas. E, como diz meu amigo Wilson Palhares, o botequim é muito melhor que uma sessão de psicanálise.

– Lá você ouve qualquer  tipo de conversa. Se não gostar do papo, muda de lugar e, em último caso, paga apenas o que consumiu e vai embora.

Na impossibilidade de sair de casa, improvisei um boteco na varanda do meu apartamento onde, pelo menos, posso admirar as verdejantes praças da Granja Julieta.

Longe do ideal, mas pelo menos preencho meu tempo da maneira possível.

E, ao final da tarde, ainda bato um papo virtual com meu amigo Gerson Cury. A tecnologia traz essas vantagens.

FRASE DE BOTECO

Se passando gel nas mãos você está protegido contra o coronavírus

Bebendo, você torna-se praticamente imortal.

Anônimo

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