URUBUBRAS – UMA EMPRESA ECOLÓGICA por Mário Rubial

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Sentado na varanda do meu apartamento, com o saco cheio, e sem poder dar uma esticadela nos amados botecos, pareço um monge tibetano observando a natureza disponível. Praças bonitas e verdejantes, mas que depois de um tempo, começam a irritar este pobre paulistano nascido no umbigo de Sampa, na Avenida São João em frente ao Largo do Arouche. E acostumado com a agitação dessa região.

Certo dia vejo urubus sobrevoando a área. Quatro. Acho que eram dois casais embora não tenha visto o sexo deles. Não dei muita bola. Pensei que estivessem  de olho em algum bicho morto, esperando o momento certo para iniciar a refeição daquele dia.

E dia após dia, os quatro voltavam a sobrevoar a região da Granja Julieta próxima do meu apartamento.

De tanto observar, lembrei de uma belíssima história, criada e protagonizada pelo meu querido amigo José Alcione Pereira, o Caicó, que conheci na Editora Abril na década de 70. Lá foi meu chefe na Divisão de Educação.

Caicó é uma daquelas raras pessoas absolutamente confiáveis, corretas, competentes e um amigo insubstituível.

E de quebra, engraçadíssimo. Sua capacidade para criar histórias é inesgotável.

Por causa dos urubus, lembrei de uma.

Sua mente fértil criou uma empresa genuinamente nacional, destinada à exportação de urubus para países necessitados no trabalho de limpeza de bichos mortos. A URUBUBRAS!

E acreditem, em qualquer reunião de trabalho, com clientes de toda espécie, executivos engravatados e empertigados, Caicó achava uma brecha e começava a falar das maravilhas da URUBUBRAS.

Era de tal forma convincente, que todos ouviam com extrema atenção.

Lembro de uma reunião com Secretários de Educação, na Editora Abril.

Caicó desandou a falar, apresentando argumentos “tecnicamente” irretocáveis, de tal maneira que os presentes ficavam hipnotizados diante das argumentações perfeitamente encadeadas. E que, ao final, terminava com a ideia de criar a URUBUBRAS.

E concluía: já tinha apresentado um projeto para o governo suíço.

Indagado por que o governo suíço, respondia:

– Durante o inverno, vários animais morrem de frio. E quando começa a primavera, os corpos entram em decomposição causando um fedor insuportável. Daí que a presença dos urubus é primordial porque, em poucos dias, os despojos são rapidamente consumidos pela brigada brasileira de urubus.

Esse papo demorava uns quinze minutos. E acreditem, todos prestavam reverente atenção ao nosso potiguar de Caicó.

Ave, Caicó!

FRASE DE BOTECO

Adoro ver políticos chamando jornalistas de urubus.

Eles confirmam que são carniças.

Andrew Amaurick

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