Almirante Esquadra Augusto Hamann Rademaker Grunewald. Vice-Presidente.

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Por José Roberto Faria Lima

O cenário é quase indescritível.
Das águas azul marinho elevam-se imensas rochas negras de origem vulcânica.
O mar está sempre agitado.
O forte vento produz ruídos ameaçadores.
Restos de um grande navio destroçado alertam para o perigo que ronda Trindade.
Embarcamos nos helicópteros que nos levarão à base Militar implantada pela Marinha brasileira.
Um pedaço do Brasil no meio do Atlântico.
Mil e duzentas milhas em linha reta de Vitória.
Uma das cinco sentinelas avançadas de Pindorama.
Noronha, Atol das Rocas, São Pedro e São Paulo e Martim Vaz delimitam nossa Amazônia Azul.
Poisedon parece gostar de banhar se nesta ”banheira” chamada Atlântico.
Um Deus do Olimpo com nacionalidade brasileira.
Nesgas de paraíso, berço de vidas como as tartarugas verde moluscos, caranguejos amarelo, baleias jamanta e pássaros marítimos como o albatroz e a veloz fragata.
Tem até jardins de samambaias gigantes para adornar a ilha perdida.
Despertam a curiosidade e o espírito aventureiro de muita gente.
Trindade sempre me fez sonhar.
Duas metas que listei como coisas a fazer enquanto estivesse no planetinha azul foram atingidas, pisei em Trindade e tinha viajado no navio captanea, o Porta Aviões Minas Gerais.
Numa marcha cadenciada a 30 milhas marítimas por hora.
Não navegava mais rápido.
Tinha problemas no casco.
Ao comprar dos franceses não perceberam esse pequeno detalhe.
Mania de grandeza e um certo complexo e de vira lata.
Meu padrinho e tio, o Almirante Esquadra João Faria Lima comandou o navio capitanea anterior, o Cruzador do mesmo nome que visitei quando aportou em Santos.
Tio João não se conformava com esse, vamos dizer, lapso.
O Juca Chaves deixou no ar de forma satírica o assunto com uma música famosa à época .
“O Brasil já vai para guerra, já comprou porta aviões … “
Difícil esconder a verdade, acabaria aparecendo.
Constatei esse fato à bordo.
Quem sabe o Porta Aviões não seria usado para vingar o misterioso afundamento do cruzador Bahia atacado em 4 de julho de 1945 mesmo após o fim da segunda guerra mundial.
Milhares de vidas brasileiras forra ceifadas.
Mas isso é uma página esquecida de nossa História.
A própria História Naval deveria ser muito mais difundida.
Pena que não seja pois trata-se de um magnífico relato da saga de nossa armada que já fora no tempo do Império, a segunda mais forte do mundo a singrar os oceanos. Perdia apenas para a inglesa.
Pindorama tem incontáveis vínculos com os mares e já foi confundido até como uma ilha – Vera Cruz .
Faria lima, o livro sumiu .
Como?
Como poderia desaparecer de sua cabine ?
Lomanto Júnior tinha sido governador da Bahia, amado pelos baianos, uma figura adorável.
Tinha sido convidado por Rademaker para compor o grupo que iria viajar à Trindade no Porta Aviões Minas Gerais.
Lomanto era rádio amador e estava contando os minutos para chegar a ilha.
Seria um marco pois ninguém tinha ainda feito uma transmissão de um ponto tão remoto do nosso território.
Para controlar a ansiedade, Lomanto se refugiava na leitura.
Perguntou se tinha levado algum livro para devorar na viagem ?
Disse que acabara de ler um belo conto que meu pai me emprestara.
Posso lhe ceder mas meu pai tem muito ciúme de seus livros
Era ler e devolver .
E assim ficou combinado.
Eis que o livro tinha evaporado.
Lomanto garantiu que nunca o levara para fora da cabine.
Para ele era difícil explicar o acontecido.
Eu iria ficar na berlinda frustrando a confiança de meu pai.
No café da manhã relatei o fato ao Vice Presidente Rademaker e pedi ajuda para encontra o livro.
Ele me perguntou o título da obra.
Respondi “ Você pode confiar nos comunistas, eles são comunistas mesmo . “
Um texto anti comunista que mostrava as características de esquerdistas radicais .
Enfatizei ser um livro da biblioteca particular de meu pai e deixei claro a dificuldade em justificar seu desaparecimento.
Rademaker conhecia bem o Brigadeiro Roberto e acredito tivesse o mesmo sentimento de posse para com seus livros.
No dia seguinte o livro reapareceu tão misteriosamente como tinha desaparecido.
O pessoal do Cenimsr ao ler o título na capa do livro o julgou propaganda imprópria, material subversivo e o recolheu.
O inacreditável acontece.
Eu e Lomanto aliviados, rimos muito.
E a vida seguiu.
Essa pandemia chinesa parou o tempo e nos levou a buscar a resposta para o mistério de nossa existirmos.
Entender o porque da vida .
O porque de termos vindo para esse planetinha azul.
Qual o propósito da suprema inteligência ter nos criado.
Porque essa busca pela perfeição ?
Afinal já podíamos ter sido criados perfeitos.
Qual o motivo dessa dualidade .
Se as regras divinas balizam tudo, porque somente o algoritmo físico demanda o tempo para aferir e controlar sua existência ?
Tudo devia ser simples.
Descomplicado.
Nada existe sem motivo.
Até esses delírios e devaneios envolvendo situações, pessoas e locais já vivenciados.
Esse voo pelo infinito não pode ser por acaso.
Não consegui controlar o impulso de fazer esses comentários.
Não desejo finalizar esse lampejo sem um Gran Finale …
O ontem, o hoje e o amanhã se confundem.
De volta a Trindade.
Lomanto mandou sua mensagem para o universo de rádio amadores.
Congestionou sua frequência e deliciou a comunidade.
Contatos mil.
QSL.
Era o comentário geral.
Minha filha , cel Thereza Christina é rádio amadora, influenciada pelo General Reynaldo Mello Almeida.
Ela me disse que adoraria ter tido essa experiência .
Para mim a viagem foi Inesquecível.
Não fiquei sea sick com o balanço do mar
Mas a queda que sofri ao jogar futebol de salão no pátio inferior no estacionamento dos aviões cobrou seu preço deixando dores quase insuportáveis na coluna e no cíático.
O céu límpido e a visão da mancha da Via Láctea compensaram tudo.
Era como estivesse agasalhado entre dois mares, um de estrelas e outro segredos profundos.
Dois lugares não consegui conhecer desse Brasil continente
Noronha e Palmas.
Convivi com os governadores das duas unidades federadas.
Siqueira Campos um cearense persistente que lutou e criou o Estado de Tocantins, Terra do jalapão e de Palmas.
Estivemos deputados juntos.
É um excelente jornalista Fernando César Mesquita que governou a linda e cobiçada Ilha de Fernando de Noronha, um pedaço de paraíso muito especial que atrai gente de todo o mundo por sua beleza inigualável .
Vinte e uma ilhas formam esse arquipélago, um oásis para a vida marinha.
Tubarões guardam Noronha.
Um pequeno aeroporto pousada e bares agitam a vila dos Remédios, a “capital” da ilha.
Hoje voltou a pertencer a Pernambuco.
Rademaker comandou o Cisne Branco. O pomposo navio escola que ao término do curso leva os futuros oficiais a conhecer o planeta .
Ministro da Marinha e compôs a Junta Militar que governou o país quando a doença atingiu o Presidente Costa e Silva.
Um destacado militar
Marcou época na Marinha.
O Porta Aviões francês elevou a tensão nas FFAA.
A aeronáutica e a armada discutiam sobre quem deveria operar os aviões .
Muitas vezes assisti acalorados debates entre meus tios Almirantes e meu pai e tio José, brigadeiros sobre essa temática.
A Marinha acabou vencendo.
Confesso a você que me deliciei com esse lampejo
Voltei contente desse passeio ao passado.
No mundo real alegro-me ao ver a modernização de nossas forças armadas.
A dimensão econômica do Brasil estava por exigir o restabelecimento de nosso poder militar para proteger a soberania e as riquesas que fomos presenteados e constituem o patrimônio de nossa gente.
Num mundo cada vez maior e mais interdependente e complexo, o Brasil precisa ficar cada vez maior e mais influente

Faria Lima
Lampejos

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