POR QUE O BRASIL NÃO DÁ CERTO? ALIÁS, VAMOS PEGAR LEVE? Por Mário Rubial

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Para melhor entender, leiam o que Padre Antonio Vieira disse, em 1666, sobre o governador de Pernambuco, Jerônimo de Mendonça Furtado, acusado de desvio de recursos destinados à Coroa Portuguesa, sequestro de bens, receber propinas, enfim, tudo o que acontece no Brasil desde que Cabral aqui chegou. Furtado era um governante prepotente, corrupto e venal, exatamente igual a todos os políticos da época. E que continuam como um câncer incurável.

Mas dizia Vieira:

– Perde-se o Brasil (digamo-lo em uma palavra) porque alguns ministros de Sua Majestade não vêm cá buscar nosso bem, vêm buscar nossos bens”.

Essa passagem e outras estão magnificamente apresentadas no excelente livro: Brasil: uma biografia, de autoria de Lilia Schwarcz e Heloisa Starling.

E qual foi a penúltima dos canalhas? Sim, penúltima porque não acaba! 

A última foi do Geddel, aquele dos 51 milhões em dinheiro vivo encontrados no apartamento em Salvador. E que recebeu de presente do nosso supremo, com letra pequena mesmo, o benefício da prisão, hahaha, domiciliar. O gordo ladrão chegou no seu apartamento num belíssimo Audi, dirigido por um motorista.

Quando comecei a listar todos os canalhas que nos roubam, Lula, Zé Dirceu, Eduardo Cunha, Azeredo, bateu uma taquicardia e minha pressão subiu muito. Minha indignação poderia me levar à morte.

Decidi parar e não morrer de raiva!

Tomei dois comprimidos para pressão, me acalmei e fui dormir.

No dia seguinte olhei o texto escrito e pensei:

– Não posso continuar. Minha pressão vai subir de novo.

Vou fazer outra coisa, pensei. Pegar mais leve.

Olhei do lado e vi um monte de CDs e decidi:

– Vou matar a saudade dos bons tempos.

E tome Jovem Guarda, Ray Conniff, Glen Miller, Beatles, Nelson Cavaquinho, Chico, Cartola, Elis, Tom Jobim, Nelson Gonçalves e mais um monte de discos que me remeteram a uma época mais romântica, ingênua, feliz e muito mais segura.

Servi uma generosa dose de whisky e comecei a ouvir alguns deles. Lá pelas tantas toca o telefone.

Era o Isac, querido amigo de Santos, perguntando o que eu estava fazendo.

Quando disse que estava ouvindo meus CDs, ele riu e disse:

– CD?  Está nessa ainda? Só falta você resgatar o projetor de slides e chamar seus amigos para aquela insuportável exibição de viagens que não interessam a ninguém.

Rimos muito e concordamos que tudo está se modificando numa velocidade impressionante.

Caprichei em mais uma dose de whisky e pensei:

– Caraca, como estou velho. Mas pensando bem, ainda sou uma brasa, mora!

FRASE DE BOTECO

Trecho da letra de JÁ FUI UMA BRASA, de Adoniran Barbosa

Mas lembro que o rádio que hoje toca

Iê, iê, iê o dia inteiro

Tocava Saudosa Maloca

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