ATÉ BREVE, CAICÓ. Por Mário Rubial

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José Alcione Pereira, nosso eterno Caicó, partiu para altas esferas no último dia 2.

Permaneceu entre nós por 92 anos. Durante esse tempo disseminou o que havia de melhor num ser humano: dignidade, solidariedade, profissionalismo e mais um monte de predicados positivos. E tudo isso com muito bom humor, que era sua marca registrada.

Já contei em crônica anterior, sua ideia de criar uma empresa genuinamente brasileira: a URUBUBRAS, destinada à exportação de urubus. Tão estapafúrdia, mas tão bem contada que todos prestavam respeitosa atenção.

Sua carreira profissional foi riquíssima. Veio de Caicó no Rio Grande do Norte para trabalhar em Salto-SP, no jornal O LIBERAL.  Depois disso, foi para o Rio de Janeiro trabalhar na ESSO. Era assessor de imprensa e protagonizou uma história engraçadíssima que rendeu matérias até no Repórter Esso, noticiário histórico de rádio e televisão brasileira, iniciado nos anos 40 até dezembro de 1967.

Anos 60. Véspera de Carnaval no Rio. Eleição para o Rei Momo daquele ano. Passando de carro perto do local onde se realizou o evento, nosso Caicó vislumbrou o Momo eleito, todo paramentado, caminhando sozinho pela orla daquela romântica Copacabana. Não pensou duas vezes: aproximou-se do Rei, e num rápido movimento tirou a coroa da cabeça dele e se mandou em alta velocidade.

Essa travessura rendeu uma imensidão de matérias na época. Em todos os veículos de comunicação e, principalmente, no Repórter Esso, onde o Rei Momo, aos prantos, pedia a devolução da coroa. E que o Caicó devolveu às vésperas do Carnaval.

Outra brincadeira foi em Brasília, nos anos 70. Ele era Diretor da Divisão de Educação na Editora Abril. Era meu chefe e fomos juntos para um encontro com Secretários de Educação de todos os estados. No hotel, tratou de reunir nossa turma que iria trabalhar no evento para uma checagem das atribuições.

Estávamos em 7 ou 8 pessoas que lotou o pequeno apartamento. De tal maneira que, somado ao material de trabalho e outros pertences do Caicó, não se via a porta do banheiro. O que fez Caicó? Ligou para a recepção e reclamou com veemência a falta de uma banheiro no apartamento. Mobilizou toda a estrutura do hotel a ponto do Gerente pedir desculpas quase aos prantos, oferecendo como compensação, a suíte master, cuja diária só poderia ser paga por um sheik dos Emirados Árabes. Esclarecida a brincadeira, tudo terminou em abraços e muita risada pois o Alcione sempre soube dosar essas “pegadinhas” de maneira a não ofender nem humilhar ninguém.

Outra passagem engraçada foi ainda na Divisão de Educação. A família Civita, nomeou como novo Diretor Geral, Roger Karman. Alcione, que era Diretor Comercial, deveria levar o Roger para apresentá-lo aos Governadores e Secretários de Educação de vários estados. Antes da partida, em reunião com toda nossa turma, dirigiu-se ao Roger e disse:

– Roger, você é Diretor de uma Divisão da Abril que elabora projetos educacionais para brasileiros. O teu nome, não tem nada de brasileiro e isso será estranho para o pessoal dos estados compreenderem, Portanto, a partir de agora, mudo seu nome para Rogério do Carmo. Fez com tanta graça e respeito que o próprio Roger se acostumou com abrasileiramento do seu nome.

São inúmeras histórias que marcam a trajetória desse ser humano inigualável e que serão contadas no seu devido tempo.

Ave, Caicó! E como disse no título desta crônica, até breve.

FRASE DE BOTECO

As pessoas não morrem, ficam encantadas…a gente morre é pra provar que viveu.

João Guimarães Rosa

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