COPO MEIO CHEIO OU MEIO VAZIO? Por Mário Rubial

0
243

Pois é, depende do ponto de vista.

Tenho um pequeno escritório no meu apartamento, onde martelo impiedosamente as teclas do meu notebook não só para escrever as crônicas como acessar o Internet Banking, ler e reler os meus livros do coração ou simplesmente para ouvir minhas músicas prediletas acompanhado sempre de uma generosa dose de whisky.

De tempos em tempos, uma tribo de cupins resolve atazanar minha paciência. Justamente no armário onde guardo os livros e otras cositas mas. Sempre dou uma olhada no chão para ver se encontro o inevitável pó de madeira, prova inconteste do vandalismo desses canalhinhas.

Foi o que aconteceu há dois dias. E, para fazer o serviço adequado, de borrifar todo o armário com o descupinizador – eita palavrinha difícil – esvaziei o armário. E claro, meus adorados livros.

Aí aconteceu uma coisa engraçada. Cada livro retirado da estante era como o reencontro com um velho conhecido. Sabem aquele amigo que não se vê há vários anos? Foi uma delícia! E, claro, convidei todos eles para meu happy hour.

O primeiro que abracei foi Millôr Definitivo, um livraço com 5142 citações maravilhosas que ele acumulou em anos de trabalho. Li e  me diverti com as grandes sacadas do mestre. Todas geniais.

Vieram também para o encontro Ziraldo com outras obras. Um belo livro intitulado com o próprio nome e tudo o que ele fez de importante. Além de Jeremias, o Bom, outro livro maravilhoso.

E Manoel de Barros, Rafael Cury, Aydano Roriz, Pedro Bandeira, Cláudio Fragata e mais os livros que contam histórias sobre os botequins paulistanos e cariocas. Foi uma noitada e tanta.

Lá pelas dez da noite, resolvemos brindar vários amigos que não puderam estar presentes.

E tudo num clima de botequim, a saudável e necessária instituição tão mal compreendida e até mesmo vilipendiada pelos mal-amados do planeta.

No meio do papo, lembrei ao mestre Millôr que muito aprendi com ele. Além de tudo que publicou nos livros e nas crônicas memoráveis no O Cruzeiro, Pasquim,  Veja, foi numa delas que ele me apresentou Manoel de Barros, do qual nunca tinha ouvido falar e que, correndo, fui em busca das obras do poeta pantaneiro. E babei. Que maravilha!

E lembrei também ao Millôr que foi numa crônica do Pasquim que ele, praticante de frescobol e caminhadas pela praia, me motivou a fazer o mesmo. Como a primeira opção não deu certo, fiquei com a segunda. Até hoje, e lá se vão quarenta anos praticando diariamente.

Ao final, entre abraços e promessas de mais encontros, Millôr me chamou de lado e sussurrou já meio briaco:

– Tens visto o Gerson Cury?

– Sim, sempre. Meu quase irmão.

– Então diga pra ele que deixe de ser preguiçoso e comece a escrever.

FRASE DE BOTECO

Uma imagem vale mais do que mil palavras. Vai dizer isto com uma imagem.

MILLÔR FERNANDES

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor digite seu nome aqui

cinco + 17 =