LIMA BARRETO, QUEM DIRIA, MORA EM SÃO PAULO por Mário Rubial

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Uma das maiores implicâncias que tenho em relação a São Paulo diz respeito às péssimas condições das ruas e calçadas.

Nos 42 anos que moro na Chácara Santo Antônio, zona sul, tive dois pneus rasgados e uma roda quebrada por causa dos buracos.

É INACREDITÁVEL  a incompetência/má fé das autoridades municipais. Não conseguem fazer o mínimo dos mínimos: péssimos remendos com material de qualidade duvidosa,  imperícia – bocas de lobo sempre abaixo do nível do asfalto que quando você passa o carro quase levanta voo, e por aí vai.

A gota d’água foi na semana passada, quando o carro da minha filha caiu num buraco e teve o pneu totalmente rasgado. O que penso a respeito dos nossos políticos e administradores é impublicável.

Mas mudo de assunto para um breve comentário.

Comprei o ótimo livro AS CEM MELHORES CRÔNICAS BRASILEIRAS, reunidas por Joaquim Ferreira dos Santos. Um primor!

Começa em 1850 com Machado de Assis e João do Rio até os dias atuais com Millôr, Caetano, Ignacio de Loyola  Brandão entre outros.

Logo no início, coincidência com as ruas esburacadas de São Paulo : uma crônica de Lima Barreto, “QUEIXA DE DEFUNTO”. Aborda as agruras de um defunto que morreu no Méier – RJ e teve de ser transportado num coche para o cemitério de Inhaúma.

Antônio da Conceição, o defunto, reclama das péssimas condições das ruas cariocas. A narrativa é engraçadíssima e pode ser encontrada facilmente no Google. Vale a pena!

Apenas um trecho da fala do defunto para divertir o leitor:

Esta rua foi calçada há perto de cinquenta anos a macadame e nunca mais foi o seu calçamento substituído. Há caldeirões de todas as profundidades e larguras, por ela afora. Dessa forma, um pobre defunto que vai dentro de um caixão em cima de um coche que por ela rola sofre o diabo. De uma feita um até, após um trambolhão do carro mortuário, saltou do esquife, vivinho da silva, tendo ressuscitado com o susto.”

Fico imaginando o carro da funerária transportando um morto pelas ruas de São Paulo. Se passar num buraco, capaz do passageiro ressuscitar.

FRASE DE BOTECO

A gente morre para provar que viveu.

João Guimarães Rosa

De whisky ninguém morre.

João Noro

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