O REI DO GATILHO por Mário Rubial

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Outro dia, ao colocar a máscara para sair de casa, lembrei que talvez estejamos condenados a usá-la para o resto das nossas vidas. E tudo por culpa da Covid.

E lá fui eu para meus afazeres devidamente mascarado.

Meu primeiro compromisso foi no banco onde mantenho minhas poucas operações financeiras. Ajeitei a máscara e me dirigi à porta-giratória onde depositei meus pertences, celular, chaves etc.

E, claro, observado pelo guarda de segurança armado.

Enquanto esperava o atendimento, lembrei dos antigos filmes de bang-bang estrelados por diversos atores que estão até hoje na memória dos mais velhos principalmente. Quem não lembra de John Wayne, Hopalong Cassidy, Terence Hill, Charles Bronson entre outros? E que todas as vezes que malfeitores atacavam um banco ou um trem carregado de dinheiro, como se disfarçavam? Com  máscara, exatamente igual a que estamos usando agora!

Pensei: se eu estivesse armado, com uma coragem que não tenho nem de longe, resolvesse roubar o banco? Estaria devidamente protegido pelo anonimato mesmo com todos os recursos eletrônicos disponíveis pelo sistema bancário.

Ah, dirão:

– E o guarda armado, que fica dentro do banco? E o detector de metais?

Bem, meus leitores já estão querendo demais. Como na ficção, esse problema estaria resolvido.

Um outro problema ocasionado pela máscara é com relação  a abordagem policial, numa operação de rotina.

Diz o policial para o cidadão:

– Abaixe a máscara e mostre os documentos!

Responde o cidadão:

– Você sabe com quem está falando?

Em seguida baixa a máscara e aparece a figura de um político influente, Ciro Gomes por exemplo, que do alto da sua verborragia começa a falar ao pobre policial todas as características da legislação penal.

Mesmo no dia a dia do cidadão comum, acontecem situações pra lá de constrangedoras. No meu condomínio, onde moro há doze anos, tem sido comum cruzar com um vizinho e não cumprimentar.

– Pô, Marião, não cumprimenta mais?

– Quem é você?

– Sou seu vizinho de frente há doze anos.

-Pô, desculpe, com o uso da máscara acabo não reconhecendo as pessoas.

Eu, que já sou distraído por natureza, com a memória cada vez mais comprometida pela idade, tenho passado um grande sufoco.

Sai Covid! Sai Ômicron! Sai zica!

FRASE DE BOTECO

Se os filhos das putas voassem, nunca veríamos o sol.

Provérbio argentino

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