TRAVESSURAS DA NOSSA INFÂNCIA por Mário Rubial

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Anos 40, 50 e 60. As emissoras de TV eram poucas, não havia internet nem telefone celular e as diversões para a molecada resumiam-se em jogar futebol – em qualquer lugar –, dançar nos bailinhos com as meninas do bairro, bolinha de gude, pegar balões nas festas juninas e matar passarinho com estilingue.

E para fazer parte da turma e ser respeitado, tínhamos que fazer tudo isso. Senão você era afastado e virava piada.

Jogar futebol de rua, eu era muito bom. Quando os dois capitães da cada time tiravam no par ou ímpar, quem começava a escolher os jogadores, eu era o primeiro. Ou na pior das hipóteses o segundo.

Mas uma coisa que jamais consegui fazer – felizmente – foi matar passarinho. Eu me violentava tentando. Saíamos em grupo munidos das atiradeiras, pedras adequadas e íamos para a caça. 

Eu errava de propósito. E todos me cobravam e gozavam da minha cara. Mas como eu era bom no futebol, acabaram relevando. E seguimos a vida em paz.

Contei essa história porque estou lendo um magnífico livro de crônicas: VENTO VADIO, do Antônio Maria.

Maria, era assim que Vinicius de Moraes o chamava, nasceu no Recife em 1921 mas foi no Rio de Janeiro que se consagrou como jornalista, compositor, escritor de crônicas principalmente e boêmio da melhor qualidade. Adorava qualquer tipo de confusão e apaixonado pelas mulheres a ponto de ter casado com Danuza Leão, uma das mais lindas do Rio de Janeiro. Gordo e com vida totalmente desregrada, morreu de infarto aos 43 anos.

Mas por que essa longa introdução?

Porque no livro do Antônio Maria tem uma crônica onde ele narra sua infância no Recife. E que na fazenda da família havia diversão de sobra e muita maldade também.  

Vejam esse trecho:

Enquanto isso, no terraço, os sapos davam show. Namoravam a mariposa, o besouro e, num rápido golpe de língua, comiam sua conquista, sem mastigar. Se alguém lhes jogava uma ponta de cigarro, com a mesma gulodice engoliam a brasa e saiam, aos pinotes, para morrer de úlcera e aparecerem estatelados, dias depois, com as pernas esticadas.

Mas a malvadeza não terminava aí. Certo dia jogaram um prego em brasa. Vocês podem imaginar a crueldade do resultado!

E eu, que não matava nem pernilongo, certamente não daria certo entre a molecada do Recife.

FRASE DE BOTECO

Sapo é um pedaço de chão que pula.

Manoel de Barros

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