OS DONOS DO PODER por Mário Rubial

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Lá pelos anos 60, Raymundo Faoro, grande jurista, publicou o clássico
OS DONOS DO PODER: FORMAÇÃO DO PATRONATO POLÍTICO BRASILEIRO.

Comprei o livro há uns vinte anos e desde então tento ler. Cerca de 900 páginas
de difícil leitura pois o Dr. Faoro não era um romancista.

Mas insisto porque é uma obra esclarecedora sobre este enigma mundial chamado Brasil. E pelo menos uma vez por semana leio ou releio um capítulo.

A primeira constatação é de que nada mudou.

Não tenho a pretensão de analisar a obra do Dr. Faoro pois, reconheço,
falta-me estatura jurídica para tanto.

Mas leiam um pequeno trecho que reforça o título da crônica.

“Dominava o Ceará, desde 1896, Nogueira Acioli…genro que era do Senador Pompeu. Governador por três vezes, organizou, no curso de quinze anos, uma oligarquia familiar, chegando a ter no Senado Federal, um genro e um filho.
E os cargos públicos estaduais entregues a parentes… e na Assembleia
Estadual, além de seus filhos, genros, primos e cunhados dos filhos…”

Nada diferente do que continua sendo feito hoje.

Nesta semana no Estadão, há matéria sobre um assessor do notório Juscelino
Filho, Ministro das Comunicações de Lula onde afirma, com todas as letras,
que recebia salário como funcionário no gabinete do então deputado federal.
Só que trabalhava bem distante de Brasília: na fazenda de um tio do
Ministro, lá no Maranhão.

E a prática se repete através de estruturas familiares conhecidas como os
Calheiros e Collor, das Alagoas. dos Barbalho, Pará,  e mais uma infinidade
de exemplos que deixo de citar para não cansar meus poucos leitores.

O Brasil é a República do compadrio. Onde esposas de governadores são
nomeadas para Tribunais de Contas de seus Estados para fiscalizar sabem
quem? As contas dos próprios maridos!

E para terminar a comédia brasileira, o presidente Luiz da Silva pretende
indicar para o STF seu advogado Cristiano Zanin para uma vaga no lugar de
Ricardo Lewandowski. Tudo em casa…

Sim, o mesmo STF que tem entre seus membros o ministro Gilmar Mendes, aquele
que ficou com os olhos marejados ao elogiar a atuação do Zanin na defesa do
presidente Luiz da Silva.

Alguém ainda leva o Brasil a sério?

FRASE DE BOTECO

Fiquem tranquilos, o Brasil  não tem a menor chance de dar certo.

Roberto Campos

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