JAN BALDER – Emerson Fitilpaldi – Uma trajetória surpreendente

JAN BALDER – Emerson Fitilpaldi – Uma trajetória surpreendente

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Quem diria que, em apenas 14 meses na Europa, o Emerson estaria sentado num Lotus oficial, a equipe Gold Leaf, de Colin Chapmann, tinha três carros: dois lótus modelo 72 para Jochen Rindt e John Miles e a velha Lotus 49 versão C para o Emerson.

O Lotus 49 foi o último carro de Jim Clark na Fórmula 1. Ele morrera em Hockenheim (1968) com um Fórmula 2, e Colin Chapmann, todo vestido de preto, fazia sua primeira aparição naquele circuito após a morte do “escocês voador.”

O binômio Chapmann/Clark revolucionou a Fórmula 1 com tecnologia de vanguarda. No final da década de 1950, Colin Chapmann colocou o motor entre eixos e distribuiu o peso do carro. Mesmo com menos potência no motor e mais tarde Jim Clark, garantiu dividendos fabulosos, desbancando os modelos tradicionais equipados com possantes motores dianteiros. Quando Stirling Moss corria com Chapman, em um Cooper Clímax, ele comentou “parece que corro com o motor aderido ao assento e com os pés apoiados no chão”

Agora presenciávamos tudo de perto no paddock atrás dos boxes. Em uma área gramada ficavam os caminhões e, ao lado, os carros de fórmula 1, separados apenas por uma simples cordinha com  muita gente em volta, de engenheiros e mecânicos a patrocinadores, imprensa, credenciados e curiosos, em convívio muito próximo.

Emerson era pouco conhecido. Antes do treino, o jornalista da revista Auto Sprint, e ex-diretor esportivo da equipe Ferrari Franco Lini trocou figurinhas e confidenciou novidades do meio automobilístico e fofocas de bastidores para o Emerson, que ouvia sempre receptivo com atenção e  muito respeito – uma espécie de aluno obediente ouvindo o professor.

Seguimos até o carro do Emerson e, enquanto ele trocava de roupa no banco traseiro, ouvia atento as orientações de Franco Lini. A maior preocupação era com respeito à classificação para o grid. Na época, a Fórmula 1 garantia vagas para os pilotos principais de cada equipe e para os ex-campeões mundiais, independente do tempo de volta obtido. Sobravam 15 pilotos para disputar 11 vagas disponíveis e o Emerson estava entre eles, com um carro de certa forma já obsoleto. O Lotus 49 havia obtido sucesso em 1968, com o título de Graham Hill, e até meados de 1969, quando venceu seu último GP.

No treino final, Emerson andou muito bem, classificando-se com segurança em decido terceiro lugar, à frente de ex-campeões, como John Surtees, que estreava seu próprio carro, Denny Hulme,, com um McLaren, e Graham Hill, com carro idêntico. Hill encontrava-se em precário estado físico, com as duas pernas ainda em recuperação após seu acidente nos Estados Unidos, no final da temporada de 1969.

 

Trecho extraído do Livro ” Nos Bastidores do Automobilismo Brasileiro” de Jan Balder

1 COMENTÁRIO

  1. Jan, não tenho sua experiência em automobilismo mas ouso dizer que o Emerson foi o mais completo piloto de todos os tempos. Sem patriotada: Foi 2 vezes campeão de F1; 2 vezes vice; e ganhou 2 vezes as 500 milhas de Indianápolis. Isso no tempo em que os carros dependiam muito mais do piloto, do que da parafernália eletrônica. Quem tem isso? Hoje em dia, o piloto tem menos participação do naqueles tempos heroicos. Sem nostalgia, ok?

    abs,

    Mário

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