ACUMULANDO EXPERIÊNCIA por Fausto Camunha

ACUMULANDO EXPERIÊNCIA por Fausto Camunha

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Em 1993, depois de uma tentativa frustrada de ser vereador por São Paulo – em 1992- o deputado Arthur Alves Pinto, recém empossado na Secretaria de Esportes e Turismo do Estado, me convidou para ser o secretário-adjunto da Pasta.  Aceitei. Oportunidade maravilhosa para conhecer mais de perto as áreas de esporte e turismo e também pelo menos parte dos 645 municípios do Estado. O Arthur evitava os compromissos à noite e eu o representava quase sempre. Até que um dia o Arthur me chama, manda fechar a porta e me faz um convite inesperado. Ele estava de saída para candidatar-se à reeleição e tinha indicado o meu nome ao governador Luis Antonio Fleury Filho para substituí-lo.  Seria pelo prazo de um ano, com posse em primeiro de janeiro de 1994  e término do mandato no dia 31 de dezembro. Ao mesmo tempo sugeriu que eu viajasse por 15 dias, para evitar comentários que pudessem atrapalhar a indicação. Eu e minha esposa Lidia – a única que sabia do convite – fomos para Porto Seguro, evidentemente numa ansiedade danada. Passados os 15 dias, voltamos. No dia seguinte fui para a minha empresa de comunicação – existe desde 1983 – de terno e gravata. Toca o telefone, era o Arthur.

– Fausto, o governador quer falar com você. Dê um pulinho agora ao Palácio.

Chegando lá, o governador fez o convite formal. Meu nome tinha sido indicado pelo Arthur e aprovado pelos deputados do PFL .Ainda na condição de secretário-adjunto, tinha participado de várias ações sociais com a esposa do governador, dona Yka Fleury. Ela já me conhecia bem.

No meu segundo dia como secretário encontro no elevador o Ademir da Guia e o Dudú. Eles faziam parte de uma turma de sete craques de futebol que davam aulas 3 vezes por semana, na periferia de São Paulo. Eu já sabia disso. Na primeira audiência com o governador sugeri a contratação de mais dez jogadores conhecidos e ele concordou. Dezessete escolinhas era muito pouco. E por que não contratarmos astros de outros esportes? Levei o assunto ao Fleury. Incluímos volei, com o Montanaro, boxe com o Maguila, atletismo com a Esmeralda de Jesus, natação, judô com o Aurélio Miguel. Ficamos com oito modalidades. E, no futebol, fomos buscar o Mirandinha, Romeu Cambalhota, Leivinha, Felix, Dorval, Coutinho, Mengalvio, enfim, um elenco maravilhoso para um trabalho mais bonito ainda. Em três meses estávamos com 200 escolinhas de esportes, cada uma delas com 500 jovens entre 8 e 16 anos. Era um projeto realmente vencedor.

Em abril daquele ano chamei o Mirandinha,  aquele do São Paulo, que havia quebrado a perna. Dei a seguinte incumbência: ele teria que formar uma seleção dos garotos, com idade entre 12 e 16 anos, sem interferência política.  Tinha que escolher os melhores e ao mesmo tempo os mais carentes. E iriamos todos para o Japão, jogar futebol, em julho, mês da Copa do Mundo em Los Angeles. Como fazer com as passagens? Fui para o Rio, conversar com o diretor de marketing da antiga Varig, um senhor português. De inicio ele achou o período muito ruim, por causa das férias. Mas depois de ler o projeto, a repercussão que poderia dar e etc, ele foi fazendo sinal de sim com a cabeça e encerrou a reunião me dizendo que ligaria em três dias. Ligou mesmo.

A Varig cedeu 22 passagens e os hotéis foram reservados pelo próprio governo japonês. Isso feito, chamamos os garotos para se concentrarem, durante 45 dias, nas dependências da Secretaria, lá na Água Branca. Eu ia sempre visitá-los para acompanhar o trabalho. Um dia perguntei  se sabiam cantar o Hino Nacional Brasileiro. Ninguém sabia. Dei um prazo de 10 dias, avisando que quem não soubesse cantar o nosso Hino não poderia viajar. Dito e feito. Passados os 10 dias, todos já cantavam de cor e salteado. No embarque, em Cumbica, o governador Fleury foi prestigiá-los.  Não saiu de lá enquanto não subimos no avião. Comigo estavam a minha esposa Lidia, o meu filho Fausto Eduardo e mais quatro assessores. Iamos atravessar o mundo e eu precisava de pessoas que pudessem me ajudar a cuidar dos nossos “craques”. Minha esposa e o meu filho viajaram por minha conta (guardo até hoje toda a documentação dessa viagem).

Jogamos em Tóquio, Osaka, Kakogawa, Kobe. Foram 11 partidas das quais ganhamos 10 e perdemos uma. Os garotos foram recebidos por prefeitos e governadores, todos pontualíssimos, como sempre acontece no Japão. Demos a sorte, também, de o Brasil virar Campeão do Mundo naquele ano. Prevenido, tinha levado uniformes da seleção. Após a vitória final, levamos os garotos para passear a pé em Tóquio. Deram autógrafos e sentiram-se os reis da capital japonesa.

2 COMENTÁRIOS

  1. Fausto, tenho lido seus textos e gosto desse jeito simples, direto e às vezes bem humorado.Sempre soube que vc era uma pessoa especial junto com a Lidia.Um dia, se Deus quiser vou encontrar vcs, talvez na casa da Edair e Leopoldo e pessoalmente agradecer.Carinhoso abraço a vcs.

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